Nome: João Garcia
Alguns dos destinos que lidera: Marrocos, Quénia, Equador, Índia, Espanha, Paquistão, Nepal, Tanzânia

O João descobriu cedo a paixão pela montanha. Aos 15 anos, partiu de bicicleta para a Serra da Estrela para aprender a escalar e isto foi só o início de uma vida de aventuras. Em 2004, começou a liderar expedições de alta montanha na Papa-Léguas e, em 2010, tornou-se o décimo alpinista do mundo a escalar os 14 picos mais altos sem oxigénio artificial, além de ser o primeiro português a completar os Sete Cumes. Autor e orador, continua a inspirar outros a superarem limites e a descobrirem o mundo através da montanha.
- Alguma vez uma viagem te mudou a forma de ver o mundo?
Acho que sim. Acho que sim porque a primeira vez que fui ao Nepal, era um país bastante pobre. Os miúdos andavam literalmente descalços e brincavam com coisas que para mim eram lixo. Percebi que nestes países realmente é um problema arranjar comida para o dia e para a família. E percebi que é na simplicidade que encontramos um caminho mais direto para a felicidade.
- Qual foi o momento mais inesperado que já viveste numa viagem?
Houve um dia no Equador que fui convidado para um aniversário. Esse aniversário tinha uma refeição muito álcool e depois apareceram uns mariachis. Não estava mesmo à espera que essa festa se tornasse numa verdadeira festança!
- Se só pudesses recomendar um destino a toda a gente, qual seria?
Sem dúvida o país que eu recomendo a toda a gente é o Nepal.
- Qual foi a refeição mais memorável (boa ou má!) que tiveste em viagem?
Na China, uma vez ao pequeno-almoço serviram-nos patas de galinha fritas. Eu perguntei se aquilo era para comer e eles responderam que não, era só para chupar a fervura do óleo.
- Algum encontro com pessoas locais que nunca vais esquecer?
No Tibete, enquanto esperava por uma expedição numa aldeia local, havia um senhor mais velho a beber uma bebida alcoólica fermentada de maçã. Ele foi buscar outro copo, serviu até cima o seu próprio copo e ficou a olhar para mim com o jarro na mão. Percebi que queria que eu bebesse. Então bebi, e ele voltou a encher os dois copos. Na próxima vez, quando os copos ficaram vazios, ele não pareceu muito satisfeito com a bebida; eu bebi apenas um pouco, e ele encheu novamente o copo dele e voltou a encher o meu.
- O que nunca falta na tua mochila, mesmo em viagens curtas?
Uma certa dose de paciência…
- Qual foi o maior susto ou peripécia que já te aconteceu numa viagem?
Já tive vários sustos em viagens às montanhas deste planeta. Mas algo a que não estamos habituados, na confortável Europa, é que alguns voos de montanha dependem do tempo e não de horários fixos. Como lição, aprendi que, em certas viagens, é necessário ter muita paciência.
- Tens algum ritual ou mania antes de começar uma viagem?
Não é um ritual mas sempre que estou a deslocar-me para outro país, começa a pensar nas coisas que embalei comigo e sempre a perceber que me esqueci de alguma coisa. Quero dizer, não existe uma viagem que eu leve tudo o que realmente queria levar e a verdade é que finalmente essa coisa esquecida, não fosse assim tão essencial.
- Qual foi a paisagem que mais te deixou sem palavras?
Eu sou um alpinista e desde muito cedo comecei a dar valor a imagem estética de uma montanha. Em 1997 pela primeira vez via montanha Ama Dablam e fiquei com o desejo de um dia subir tão bela montanha. Entretanto ja subi duas vezes o Ama Dablam.
- Algum animal selvagem ou situação na natureza que te tenha marcado especialmente?
No estado do Colorado, num certo dia, enquanto fazia um trekking, dei de caras com um urso. Ele fugiu numa direção e eu noutra, mesmo sabendo que não deveria fugir.
- Tens alguma história de “perdido e achado” em viagem?
Não é propriamente uma história de perdidos e achados mas, por várias vezes no Nepal, encontro amigos de longa data que mesmo vivendo aqui tão perto, vou revê-los tão longe.
- Qual foi a maior lição que aprendeste a viajar?
Aprendi que, mesmo para subir uma montanha de mais de 8.000 m, devemos ter uma estratégia global, mas viver um dia de cada vez. Aprendi também que não somos nós que exploramos países ou conquistamos montanhas, mas que as aventuras humanas nas montanhas é que nos exploram e transformam. Aprendi, ainda, a força da amizade, mesmo à grande distância…
- Que destino te surpreendeu pela positiva… e qual é que te desafiou mais?
Acho que não foi apenas um destino, mas em todas as montanhas que subi, todos os países que visitei, dou comigo a regressar cheio de boas sensações que só consigo descodificar como felicidade.
- Um objeto que trouxeste de viagem e que tem um grande valor sentimental?
Nós, alpinistas, muitas vezes ouvimos que, nas montanhas, não devemos deixar mais do que pegadas nem levar mais do que fotografias.
- Qual seria a tua viagem de sonho se o dinheiro não fosse problema?
Acho que gostaria de visitar aqueles países com montanhas de 7.000 m, que são regiões das antigas repúblicas soviéticas.
- Numa frase: o que significa para ti ser líder de viagem?
Para mim ser líder de viagem significa partilha de felicidade. Mas como guia de montanha também sinto que a minha grande responsabilidade e zelar pela segurança e pelo conforto do grupo.
Se estas histórias te despertaram a curiosidade e a vontade de descobrir o mundo de forma autêntica, junta-te à João Garcia pelo mundo, nas suas próximas viagens com a Papa-Léguas.
Vem partilhar momentos únicos, paisagens inesquecíveis e experiências que só quem viaja com quem conhece o caminho de forma tão apaixonada consegue proporcionar!








