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9 destinos que celebram as mulheres que mudaram a história

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Durante séculos, a história foi escrita, sobretudo, no masculino. Os nomes das ruas, os bustos nas praças e os grandes monumentos celebram, quase sempre, generais e reis. O que talvez não seja tão visível é a história de mulheres que desafiaram o seu tempo, romperam silêncios e deixaram marcas profundas no mundo. 

No Dia Internacional da Mulher, assinalado a 8 de março, homenageamos essas trajetórias, conectando lugares a vozes femininas que continuam a inspirar gerações. De artistas a líderes políticas, de escritoras a atividades, cada destino guarda o eco de uma mulher que se recusou a aceitar os limites do seu tempo.

México – Frida Khalo

Símbolo da arte mexicana e da força feminina, Frida Khalo transformou a dor em expressão artística. Mais do que uma pintora, Frida tornou-se símbolo de resistência, identidade e autenticidade.

Nascida em 1907, em Coyoacán, na Cidade do México, Frida teve um vida marcada por desafios. Aos 18 anos, sofreu um grave acidente de autocarro que a deixou com sequelas permanentes. Durante a longa recuperação, começou a pintar, sobretudo autorretratos, usando um espelho preso ao dossel da cama.

A Casa Azul, o lugar onde Khalo cresceu e viveu, foi transformada em museu e ainda hoje é um local de peregrinação para os seus fãs, que podem encontrar por lá obras originais, roupas tradicionais usadas pela pintora, objetos pessoais e cartas. 

O Museu Diego Rivera Anahuacalli, construído pelo seu marido, o Palácio de Bellas Artes, onde está exposta uma das suas últimas pinturas (“El Marxismo dará salud a los enfermos”), e o próprio bairro de Coyoacán são alguns dos locais no México para entender as raízes de uma das pintoras mais influentes do século XX.

Frida Khalo

Estados Unidos – Rosa Parks

Conhecida como a mãe do movimento dos direitos civis, Rosa Parks tornou-se símbolo da luta contra a segregação racial ao recusar-se a ceder o seu lugar num autocarro no Alabama, nos EUA. 

Rosa Parks nasceu em 1913, no Alabama, numa altura em que as leis de segregação racial separavam pessoas brancas e negras em escolas, autocarros, restaurantes e espaços públicos. Quando se recusou a ceder o seu lugar a um homem branco, em 1955, foi presa. 

O ato de desobediência civil não violenta desencadeou o histórico Boicote aos Autocarros de Montgomery. O protesto, liderado por Martin Luther King Jr, durou 381 dias e levou ao fim da segregação nos transportes públicos da cidade.

Viajar pelos locais que marcaram a sua trajetória é compreender a profundidade da luta pelos direitos civis. O Museu Rosa Parks, com exposições interativas e a réplica do autocarro que levou Rosa a ser presa, a Igreja Batista da Avenida Dexter, igreja onde Martin Luther King Jr foi pastor durante o boicote, o The Legacy Museum e o Memorial Nacional para a Paz e para a Justiça, em Montgomery, são alguns dos locais que vale a pena visitar.

Rosa Parks

Polónia – Marie Curie

Antes de se tornar uma cientista mundialmente reconhecida, Marie Curie era mais conhecida como Maria Sklodowska, uma jovem polaca nascida em Varsóvia, em 1867, numa altura em que a Polónia nem sequer existia oficialmente como país independente. Desde pequena demonstrou um talento incrível para as ciências, mas enfrentou um obstáculo enorme: nasceu numa Polónia sob o domínio do império russo, onde as mulheres não podiam frequentar universidades.

Ainda assim, Marie juntou-se à “Universidade Voadora”, uma instituição clandestina que oferecia educação superior, especialmente para mulheres. Mais tarde, mudou-se para Paris para continuar os estudos, sem nunca esquecer as suas origens. Prova disso foi ter dado o nome de polonio (Po), em homenagem à Polónia, ao descobrir um novo elemento químico.

Explorar a Polónia sob a inspiração de Marie Curie, a primeira pessoa a ganhar dois Prémios Nobel em áreas diferentes (Física e Química), é conhecer a base da sua formação. O Museu Maria Sklodowska-Curie, com documentos originais e fotografias da juventude (localizado na casa onde nasceu), o Instituto do Rádio de Varsóvia, fundada com o apoio da própria Marie Curie para tratar pacientes com cancro utilizando radioterapia, e o centro histórico de Varsóvia são alguns dos pontos principais para quem deseja compreender a cientistas brilhante que foi Marie Curie.

Marie Curie

Nigéria – Chimamanda Ngozi Adichie

Nascida em 1977, na cidade de Enugu, no sudeste da Nigéria, Chimamanda cresceu no campus da Universidade da Nigéria e desde cedo que a literatura fez parte da sua formação. Autora de obras como “Americanah” e o manifesto “Todos Devemos ser Feminista”, colocou a literatura contemporânea nigeriana no centro do mapa global. Através das suas palavras, ampliou o debate sobre identidade, feminismo, raça e colonialismo.

Para quem deseja conhecer o país sob a sua inspiração, não pode faltar no roteiro uma visita a Enugu, a sua cidade natal, cercada por colinas e rica em história cultural igbo. Nsukka, a cidade universitária onde cresceu, é também um lugar onde se pode sentir a atmosfera que inspira os seus romances.

Outro lugar que não deve ser descartado é Lagos, a metrópole vibrante que serve de cenário para “Americanah”. Percorrer as ruas de Lagos é entender o contraste entre tradição e modernidade que a autora descreve com tanta precisão. 

Chimamanda Ngozi Adichie

Portugal – Adelaide Cabete

Adelaide Cabete foi médica, republicana e uma das maiores feministas portuguesas do início do século XX. Exemplo de superação e símbolo da luta pelos direitos das mulheres, Adelaide nasceu em Elvas, em 1867, numa família humilde, e ficou orfã muito cedo.

Contra todas as expectativas da época, conseguiu estudar e formou-se em Medicina, especializando-se em ginecologia, uma especialização rara para uma mulher naquele período. Com a implantação da República em 1910, abriu-se espaço para debates sobre cidadania e direitos e Adelaide foi uma das vozes mais ativas na defesa do sufrágio feminino.

Além de ter defendido o direito ao voto feminino e ter lutado pela educação das mulheres, combateu a mortalidade infantil, promoveu direitos laborais femininos e fundou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.

Em Lisboa, é possível percorrer os espaços ligados à Primeira República, onde Adelaide Cabete desenvolveu grande parte da sua atividade cívica e política. A capital foi palco das suas intervenções públicas e da sua participação no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Já em Elvas, a sua terra natal, encontramos o ponto de partida de uma trajetória improvável, marcada pela superação e pela defesa da educação como instrumento de emancipação.

Adelaide Cabete

África do Sul – Miriam Makeba

Conhecida como “Mama Africa”, Miriam Makeba foi cantora, atriz e ativista dos direitos humanos. Tornou-se uma das vozes mais famosas do continente africano, levando a música sul-africana e as mensagens contra o apartheid para o mundo inteiro.

Além da sua carreira musical, Makeba usou a sua fama para denunciar injustiças e tornou-se um símbolo global da luta contra o racismo e a opressão. Por denunciar abertamente o regime segregacionista do Apartheid na ONU, o governo sul-africano revogou o seu passaporte e condenou-a a 30 anos de exílio.

Em Joanesburgo, é possível visitar Soweto, bairro onde Miriam Makeba cresceu e que foi berço da intensa resistência cultural e política durante o apartheid. Ainda na cidade, o Museu do Apartheid oferece uma visão profunda do contexto histórico em que Miriam se tornou uma voz de denúncia e liberdade.

Seguindo para Cape Town, vale a pena conhecer os teatros e salas de concerto onde a cantora se apresentou, levando a música sul-africana para audiências locais e internacionais.

Miriam Makeba

Paquistão – Malala Yousafzai

Ainda antes de ser adulta, Malala tornou-se um símbolo global por defender o direito das raparigas à educação sob o regime talibã. Cresceu no Vale do Swat, região do Paquistão que esteve sob ocupação do Talibã, e desde jovem que escreveu e falou publicamente sobre a importância da educação, arriscando até a sua própria vida.

Em 2012, sofreu um atentado por defender os seus ideais, mas sobreviveu e continuou a sua luta. Em Mingora, a sua cidade natal no Vale do Swat, é possível compreender o contexto em que cresceu, entre pais que valorizavam a educação e uma comunidade ameaçada pelo extremismo. 

Em Islamabad, vale a pena conhecer instituições e organizações de direitos humanos que apoiam a educação feminina, inspirados pelo seu trabalho internacional. Cada um desses lugares reflete a coragem de Malala e o impacto global da sua voz.

Malala Yousafzai

Japão – Junko Tabei

“As montanhas não sabem a diferença entre homens e mulheres”. A afirmação foi feita pela japonesa Junko Tabei, na década de 70, numa época em que a sociedade japonesa ainda era extremamente conservadora.

Nascida em Miharu, no Japao, Junko ouvia frequentemente que as mulheres deveriam estar a criar filhos ou a servir chá e não a escalar montanhas. Como resposta, fundou o Ladies Climbing Club, em 1969, com o lema: “Vamos numa expedição ao estrangeiro por nossa conta”.

Em 1975, Junko foi a primeira mulher a escalar o Monte Evereste e também a primeira a completar os Sete Cumes, o desafio de subir as montanhas mais altas de cada continente. Além do montanhismo, dedicou-se a causas ambientais, promovendo a preservação da natureza e a inclusão de mulheres em desportos de aventura.

Em Miharu, a sua cidade natal, é possível conhecer a escola e os arredores que inspiraram o seu espírito aventureiro e a sua paixão pela montanha. Seguindo para Tóquio, encontram-se exposições dedicadas ao alpinismo japonês, onde a sua trajetória é celebrada. Para os mais aventureiros, regiões montanhosas como o Monte Fuji permitem vivenciar o ambiente que moldou a alpinista e sentir de perto a conexão de Junko com a natureza.

França – Gisèle Pelicot

“Que a vergonha mude de lado”. A frase de Gisèle Pelicot, em 2024, no início de um julgamento que abalou a França e o mundo, jamais será esquecida. Após descobrir que tinha sido drogada e violada pelo marido e por dezenas de estranhos durante uma década, Gisèle tomou uma decisão sem precedentes: recusou o anonimato e exigiu que o julgamento fosse aberto ao público, para que ninguém pudesse desviar o olhar.

A decisão desencadeou um debate profundo sobre consentimento, violência sexual e responsabilidade coletiva. Em toda a França (e não só), manifestações, debates e movimentos feministas ganharam nova força. Gisèle tornou-se um rosto da resistência.

Em Avignon, a cidade onde decorreu o julgamento histórico, o Palácio da Justiça tornou-se um ponto de peregrinação simbólica e de manifestações feministas. Em Paris, encontram-se, na Place de la République, murais e homenagens a Gisèle, celebrando a sua resiliência como um novo capítulo nos direitos humanos de França.

Gisèle Pelicot

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