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Bem-vindo, sol. Como os países Bálticos celebram o solstício de verão

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Para quem vive nos países Bálticos ‒ Estónia, Letónia e Lituânia ‒, o solstício de verão é um dos momentos mais importantes do ano. É nesta altura que o dia atinge a sua duração máxima e a noite torna-se quase inexistente, criando uma atmosfera única que convida à celebração ao ar livre. 

Este fenómeno astronómico, que ocorre por volta de 21 de junho no Hemisfério Norte, é celebrado desde a Idade da Pedra como um símbolo de fertilidade e renovação. Nas tradições bálticas, este momento é vivido com uma intensidade quase mística, sendo uma das festas mais importantes do calendário ‒ e cada país celebra-a de forma diferente.

Lituânia

Na Lituânia, o solstício é conhecido como Joninès ou Rasos. As fogueiras iluminam a noite enquanto jovens e adultos participam em rituais simbólicos, como a procura da lendária “flor de samambaia”. Segundo a lenda, esta flor rara só desabrocha na noite do solstício e concede felicidade, sabedoria e amor verdadeiro a quem a encontrar. Embora seja um elemento mítico, a sua busca tornou-se um ritual simbólico, muitas vezes associado a jovens casais que entram na floresta à meia-noite.

As coroas de flores, usadas na cabeça ou lançadas à água, têm também um papel central. Feitas com ervas e flores colhidas no próprio dia, são usadas na cabeça ou colocadas em rios e lagos. Acredita-se que o comportamento da coroa na água pode indicar sorte no amor ou até prever casamento.

Outro elemento fundamental é a recolha de ervas medicinais. Existe a crença de que, nesta noite, as plantas atingem o auge das suas propriedades curativas. As fogueiras iluminam a noite e têm um valor simbólico. Para além de criarem um ambiente festivo, representam purificação e proteção. Em algumas regiões, saltar sobre o fogo é visto como um ritual de limpeza espiritual e renovação.

A celebração decorre sobretudo em ambientes naturais (florestas, campos e junto a rios) reforçando a ligação profunda entre o povo lituano e a natureza. Música tradicional, danças e cânticos acompanham toda a noite, criando um ambiente quase mágico que mistura festa e espiritualidade.

Letónia

Na Letónia, o solstício de verão é celebrado como Jāņi. Uma das características mais marcantes desta celebração é o seu lado coletivo e festivo, onde famílias e grupos de amigos deslocam-se para o campo ou zonas rurais para passar a noite juntos, rodeados pela natureza.

As coroas são, novamente, um elemento central. As mulheres usam coroas de flores e ervas, associadas à beleza e fertilidade, enquanto os homens usam coroas de folhas de carvalho, símbolo de força e vitalidade. Além de decorativas, acredita-se que estas coroas têm propriedades protetoras e energéticas.

A música desempenha um papel essencial através dos chamados cantos “Līgo”. São canções tradicionais repetitivas e rítmicas, muitas vezes improvisadas, que falam de amor, natureza e vida quotidiana. O refrão, “līgo, līgo”, é repetido ao longo da noite.

Tal como nos outros países bálticos, as fogueiras são indispensáveis. Mantidas acesas até ao nascer do sol, simboliza luz, proteção e continuidade. Permanecer acordado toda a noite é considerado um sinal de boa sorte e energia para o ano seguinte.

A gastronomia também tem um papel importante. Durante o solstício, é tradicional consumir queijo com cominhos e cerveja, alimentos associados à abundância e celebração.

Estónia

Na Estónia, o solstício de verão é celebrado como Jaanipäev. O fogo é novamente o elemento central, com as fogueiras  (muitas delas de grandes dimensões) são acesas ao entardecer e mantidas durante toda a noite. Em algumas tradições, acredita-se que quanto maior a fogueira, maior será a prosperidade no ano seguinte.

Um dos rituais mais conhecidos é o de saltar sobre a fogueira, um gesto que liga o presente às antigas crenças pagãs e reforça o caráter simbólico da celebração. Churrasco e refeições ao ar livre fazem parte da experiência, tornando a celebração simultaneamente tradicional e descontraída.

Outro aspeto marcante é a relação com a luz. Devido à localização geográfica da Estónia, as noites nesta altura do ano são extremamente curtas, criando um ambiente quase contínuo de crepúsculo.

Durante o Jaanipäev, também é comum encontrar grandes baloiços de madeira (chamados kiik), muitas vezes construídos manualmente nas aldeias ou em espaços comunitários. Não são baloiços comuns no parque, mas sim estruturas robustas, feitas com troncos, capazes de suportar várias pessoas ao mesmo tempo.

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