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Micronações desconhecidas: a história de “países” que cabem num quarteirão

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Nem todos os “países” que surgiram ao longo da história foram reconhecidos pela comunidade internacional. Algumas pessoas decidiram criar os seus próprios Estados, com bandeiras, moedas, passaportes e até governos, desafiando as fronteiras e as regras do direito internacional. 

Houve quem ocupasse ilhas desabitadas, outros construíram plataformas em alto mar ou até quem transformasse uma casa numa “nação independente”. Estas experiências ficaram conhecidas como micronações.

Ao contrário dos microestados, que são países soberanos reconhecidos, as micronações não possuem reconhecimento oficial. Apesar disso, muitas delas protagonizaram episódios tão insólitos que acabaram por conquistar um lugar na história.

Algumas nasceram como forma de protesto político, outras resultaram de disputas legais ‒ e estas são algumas das micronações mais curiosas de sempre. 

República da Ilha das Rosas (400m2)

Em 1968, o engenheiro italiano Giorgio Rosa cansou-se da burocracia do seu país e decidiu construir a sua própria ilha flutuante no Mar Adriático, mesmo fora das águas territoriais italianas. O engenheiro construiu uma plataforma de aço e betão com cerca de 400 metros quadrados, a aproximadamente 11 quilómetros da costa de Rimini.

A República da Ilha das Rosas possui praticamente tudo o que se espera de um Estado: bandeira oficial, governo próprio, moeda, selos postais, passaportes e uma língua oficial (o esperanto). O projeto, que rapidamente despertou a curiosidade internacional, também preocupou o governo italiano, que receava a criação de um território livre de impostos e regulamentos.

Poucos meses depois, a marinha ocupou a plataforma e, em fevereiro de 1969, foi demolida com explosivos. Hoje, a Ilha das Rosas é vista como uma das mais ousadas experiências de soberania do século XX.

Sealand (550m2)

No Mar do Norte existe uma antiga fortaleza militar construída pelos britânicos durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1967, Roy Bates ocupou a estrutura e proclamou a criação do Principado de Sealand. 

Ao longo das décadas, Sealand desenvolveu praticamente tudo o que era necessário para ser considerado um Estado. Tinha uma família real, constituição, brasão, passaporte, moeda e selos próprios ‒ e até foi algo de disputa. 

Em 1978, um grupo de empresário alemães e neerlandeses tentou tomar o controlo da plataforma, mas Bates conseguiu recuperar Sealand numa operação armada e chegou mesmo a fazer um dos invasores prisioneiro de guerra durante vários dias. Embora nenhum país reconheça Sealand como independente, continua habitada e é uma das micronações mais conhecidas do mundo.

Molossia (0,053km2)

No deserto do Nevada, nos EUA, existe a República de Molossia, com uns impressionantes 0,053 quilómetros quadrados. Criada por Kevin Baugh, ocupa apenas uma pequena propriedade privada, mas funciona como se fosse um verdadeiro país: tem moeda própria (o Valora), fuso horário próprio (39 minutos à frente do Estado vizinho do Nevada) e serviço postal e ferroviário (uma linha de comboio em miniatura que atravessa o quintal).

O Presidente Kevin Baugh, como se intitula, tem também regras muito rígidas. Quem visitar o país (eles aceitam turistas com marcação prévia), está estritamente proibido de levar cebolas e espinafres, sacos de plástico e bagualas (um instrumento musical fictício). 

Para chegar a Molossia, os visitantes precisam de passar por um posto fronteiriço, que neste casa é nada mais do que uma pequena cabine de madeira no quintal. Apesar do tom descontraído, Molossia tornou-se uma atração turística e um exemplo de como algumas micronações podem evoluir para projetos culturais.

Hutt River (75km2)

Em 1970, Leonard Casley entrou em conflito com o governo australiano devido às quotas de produção de trigo impostas aos agricultores. Em resposta, declarou a sua propriedade rural como independente e fundou o Principado de Hutt River. 

Durante cerca de 50 anos, Hutt River funcionou como um verdadeiro país. Emitiu passaportes, moedas, selos e recebeu milhares de turistas curiosos. Em 1977, Leonard até declarou oficialmente guerra à Austrália por estar farto de ser pressionado pelo fisco australiano.

O conflito durou exatamente três dias. Como nenhuma força militar australiana apareceu para combater, o Príncipe declarou “vitório por abandono”. Apesar da popularidade, Hutt River nunca foi reconhecido oficialmente e acabou por ser dissolvido em 2020, após dificuldades financeiras e disputas fiscais.

Liberland (7km2)

Uma das micronações mais recentes é Liberland, proclamada em 2015 pelo político checo Vít Jedlička. A ideia surgiu porque existia uma pequena área junto ao rio Danúbio que era reivindicada de forma ambígua pela Croácia e pela Sérvia. 

Jedlička declarou que o território não pertencia a nenhum dos dois países e fundou ali um novo Estado baseado em princípios libertários, sendo que o lema oficial é “viver e deixar viver”. O país foi desenhado para ser o sonho de qualquer liberal ou fã de criptomoedas, isto porque o pagamento de imposto é estritamente voluntário.

Embora quase ninguém viva lá fisicamente, Liberland já recebeu centenas de milhares de candidaturas à cidadania online, mas as autoridades croatas impedem o acesso ao território.

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