Sou do Porto, mas vivo hoje na Lapónia sueca.
A minha relação com as viagens começou cedo, nas carrinhas em que percorria Portugal com os meus pais, sempre à procura das praias com o melhor vento para o meu pai fazer windsurf. Talvez tenha sido esse vento que me deixou este “bicho carpinteiro”: a incapacidade de ficar muito tempo no mesmo lugar.
A primeira vez que vivi fora de Portugal foi durante o Erasmus, enquanto estudava Arquitetura, em França. Mais tarde, um projeto em Istambul levou-me a tirar o meu primeiro passaporte e, desde então, nunca mais parei de o renovar. Terminei o intercâmbio com um Interrail pela Europa, que só fez crescer a vontade de continuar a partir.
Foi pela Escandinávia que fiz o meu segundo Interrail e foi também por aqui que acabei por ficar. Vivo e trabalho como arquiteta e urbanista há cerca de dez anos, primeiro em Estocolmo e, desde 2024, na Lapónia sueca, acima do Círculo Polar Ártico.
Já viajei por inúmeros países e continentes, mas algumas experiências ficaram especialmente marcadas. No Nepal, vivi e trabalhei durante quatro meses como arquiteta voluntária, até ser surpreendida pelo confinamento provocado pela COVID-19. Noutra viagem, atravessei o Golfo da Biscaia numa viagem à vela entre Estocolmo e o Porto.
Talvez seja por isso que continuo a viajar: porque nunca sei muito bem onde o próximo vento me vai levar.