Newsletter Papa-Léguas

Fica a par de todas as novidades!

pt-pt +351 21 845 26 89 / 90 geral@papa-leguas.com
+351 21 845 26 89 / 90 geral@papa-leguas.com

Desenhos animados que nos faziam viajar pelo mundo na infância

Homepage > Locais > Desenhos animados que nos faziam viajar pelo mundo na infância

Há desenhos animados que marcaram a nossa infância pelas personagens. Outros, pela música. E há aqueles que nos deram uma coisa ainda mais rara: vontade de conhecer o mundo. Ainda antes de sonharmos em sair do país, já atravessávamos desertos, cidades futuristas, florestas encantadas e oceanos inteiros através da televisão.

Muitos filmes e séries de animação faziam-nos imaginar lugares longínquos, com culturas diferentes e paisagens que pareciam impossíveis. E, curiosamente, muitos desses destinos continuam hoje a receber turistas inspirados por histórias que começaram num VHS, numa cassete gravada da televisão ou nas manhãs de sábado.

Estes são alguns dos filmes e séries de animação que já nos faziam viajar quando éramos crianças.

“O Rei Leão”

Para muitos de nós, a primeira vez que sentimos o calor de África não foi num documentário da National Geographic, mas sim na abertura de “O Rei Leão”. Embora o filme nunca diga explicitamente onde acontece a história, grande parte do imaginário visual do filme foi inspirado pela África Oriental, especialmente pela Tanzânia. 

A equipa da Disney visitou vários parques naturais africanos durante a produção do filme para estudar paisagens, animais e luz natural. Muitos dos cenários que vemos no filme lembram diretamente a região do Serengeti, com as suas savanas intermináveis.

O famoso “Pride Rock”, apesar de não existir oficialmente, também remete para formações rochosas típicas da Tanzânia e do Quénia ‒ mas a ligação vai muito além da imagem. Uma das expressões mais icónicas do filme ‒ Hakuna Matata ‒ vem diretamente do suaíli, língua falada em países da África Oriental.

“Doraemon”

Para muitas crianças, o “Doraemon” foi o primeiro contacto com o quotidiano japonês. Ao contrário de muitas animações cheias de fantasia épica, a série mostrava algo mais simples (e talvez por isso mais fascinante): a vida normal no Japão.

Foi através de “Doraemon” que surgiram os primeiros contactos com escolas japonesas, bairros residenciais, comida típica, tradições e até hábitos culturais. As crianças que assistiam as aventuras do Nobita percebiam que a vida no Japão tinha rotinas e detalhes diferentes, como as salas com tatami, os futons e os bentos preparados para a escola.

Embora a série raramente destaque monumentos famosos, transmite a atmosfera do quotidiano japonês de uma forma muito específica. Além disso, “Doraemon” também ajudou a criar a imagem do Japão como “o país do futuro”, com todos os gadgets a sair de um bolso mágico.

“Mulan”

“Mulan” despertou curiosidade por paisagens e tradições chinesas para milhões de crianças. O filme transformava a China num lugar épico, antigo e misterioso, cheio de montanhas, templos, guerreiros e tradições milenares.

Mesmo sendo uma adaptação ocidental de uma lenda chinesa, a animação conseguiu criar uma forte curiosidade pelo país e pela sua história. Através da jornada da jovem guerreira, fomos transportados para a China da Dinastia Han, um cenário onde a delicadeza das cerejeiras em flor contrastava com a força bruta da pedra e do império.

Um dos elementos mais marcantes do filme é a Grande Muralha da China, que surge como símbolo da dimensão histórica do país e da necessidade de defender o império. Das montanhas cobertas de neve (onde Mulan enfrenta os Hunos) às paisagens rurais que lembram as colinas de Guilin, o filme mostrou que a China era um país de paisagens diversas.

“Lilo & Stitch”

Há desenhos animados que praticamente cheiram ao lugar onde acontecem. “Lilo & Stitch” fazia isso com o Havai. Para muitas crianças, foi o primeiro contacto com a cultura havaiana e com a ideia de viver perto do oceano.

Grande parte da estética visual foi inspirada na ilha de Kaua’i, uma das mais verdes e menos urbanizadas do arquipélago. As falésias cobertas de vegetação, as praias largas, as pequenas estradas costeiras e as montanhas tropicais aparecem constantemente no filme. 

A equipa de animação viajou até ao Havaí para estudar não só a arquitetura local e as paisagens, como também as tradições e até o movimento do oceano. O filme integrou também vários elementos culturais reais do Havaí, como a dança hula, as flores tropicais, o surf e a ligação espiritual à natureza e à família.

“Heidi”

Muito antes do turismo de montanha se tornar moda nas redes sociais, “Heidi” já vendia a fantasia da vida simples nas montanhas. Os Alpes pareciam infinitos, verdes e tranquilos. A série fazia sonhar com chalés de madeira, neve e ar puro em regiões inspiradas na Suíça, especialmente áreas próximas de Maienfeld.

Em “Heidi”, as montanhas, mais do que o cenário, representam liberdade. A protagonista corre pelos campos, sobe montanhas, vive ao ar livre e cria uma ligação profunda com os animais e com a natureza.

Hoje, Maienfeld é conhecida mundialmente como a “aldeia de Heidi”. O local preserva casas tradicionais, trilhos e paisagens que lembram diretamente a série e recebe visitantes de todo o mundo.

“Aladdin”

Poucos filmes de animação criaram um imaginário tão forte como “Aladdin”, um filme que levou milhões de crianças ao Médio Oriente nos anos 90. Embora Agrabah seja uma cidade fictícia, o universo visual do filme mistura influências de vários países e culturas do mundo árabe e asiático: mercados cheios de cores, palácios gigantes, desertos infinitos e cidades iluminadas por lanternas.

Em “Aladdin”, o deserto aparece como um oceano de areia, um lugar misterioso, perigoso e mágico. As dunas intermináveis e as caravanas criavam uma sensação de exploração que fascinava muitas crianças.

Outro dos elementos mais memoráveis do filme é o palácio do Sultão, com as suas enormes cúpulas douradas e torres elegantes. A estética inspirava-se na arquitetura islâmica tradicional e, mesmo sem perceberem exatamente a origem cultural desses elementos, muitas crianças passaram a associar o Médio Oriente a beleza arquitetónica e riqueza visual.

“Pacha e o Imperador”

Tanto a série como o filme de “Pacha e o Imperador” ofereceram-nos um contacto com o universo do Peru e das civilizações dos Andes. Embora o reino de Kuzco seja fictício, quase toda a identidade visual do desenho animado remete para o Império Inca, civilização que dominou grande parte da região andina da América do Sul.

Os cenários lembram claramente as montanhas andinas, terraços agrícolas, templos de pedra e cidades elevadas semelhantes a Machu Picchu. O próprio nome, “Kuzco”, faz referência direta à cidade de Cusco, antiga capital do Império Inca.

Apesar do tom cómico, o desenho animado incorpora vários elementos associados à cultura peruana e andina, como as roupas inspiradas em tecidos tradicionais, arquitetura inca, padrões geométricos e música com instrumentos típicos dos Andes. As lamas, por exemplo, tornaram-se praticamente um símbolo do filme e estão profundamente ligadas à vida nas regiões montanhosas do Peru.

Deixe um comentário

GDPR