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Percursos pedestres sob pressão: clima extremo e excesso de visitantes

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Nos últimos anos, os percursos pedestres tornaram-se cada vez mais populares. Quem procura escapar às multidões ou experimentar a natureza de forma autónoma encontra nos trilhos uma oferta variada: desde o percurso circular mais longo do mundo em Portugal ao Caminho do Amor em Itália. Mas este crescimento tem um custo e muitos percursos correm o risco de se tornar inseguro.

Os fenómenos meteorológicos extremos e o aquecimento global estão a alterar rapidamente o terreno. Nos Alpes, dezenas de percursos fecharam temporariamente após derrocadas e deslizamentos, ligados ao degelo do permafrost, uma camada de solo, rocha ou sedimento que permanece congelada durante pelo menos dois anos consecutivos.

Na Suíça, mais de 70 itinerários estiveram interditos entre a Baixa Engadina e o Baixo Valais devido a chuvas intensas, verões secos e invernos com menos neve, fatores que aumentam os riscos para os caminhantes. Mas fora da Europa, o problema mantém-se. No Parque Nacional do Monte Rinjani, em Lombok, Indonésia, os percursos foram encerrados temporariamente até março de 2026. Segundo Budhy Kurniawan, diretor do parque, o objetivo é proteger visitantes e permitir a regeneração da flora e fauna locais.

O crescimento de caminhantes pressiona os ambientes naturais de forma contínua. No Japão, o Monte Fuji introduziu taxas elevadas e limites diários de visitantes para reduzir a poluição e a pressão turística. A subida mais popular, pelo trilho de Yoshida, passou de ¥2.000 (€12,35) para ¥4.000 (€24,70), aplicando-se agora também a outros percursos que antes eram gratuitos.

Em Portugal, a Madeira implementou uma taxa para não residentes em percursos pedestres desde janeiro de 2025, com o objetivo de gerir o fluxo de visitantes e financiar a manutenção e conservação do território. Noutros locais da Europa, como os Alpes italianos, surgem tensões entre turistas e comunidades locais. No Monte Seceda, agricultores chegaram a montar uma portagem temporária para compensar os danos provocados pelo excesso de caminhantes e financiar a manutenção das encostas.

Viajar a pé também exige atenção e responsabilidade. Respeitar limites, horários e regras dos percursos ajuda a manter os trilhos acessíveis e seguros, sem comprometer o território que os torna especiais.

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