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8 músicas de intervenção que a ditadura não conseguiu calar

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Quando os primeiros acordes de “Grândola, Vila Morena” ecoaram na rádio na madrugada de 25 de Abril de 1974, não era apenas uma música que chegava aos ouvidos dos portugueses. Era o sinal de que a liberdade estava a caminho. Cada verso cantado por Zeca Afonso carregava fraternidade, igualdade e esperança, tornando-se o código secreto que indicava aos militares que a revolução tinha começado. 

O 25 de Abril foi “disparado” por uma canção na rádio, mas Portugal não foi o único país onde a música serviu de bússola para a democracia. Assim como “Grândola, Vila Morena”, outras canções ao redor do mundo desempenharam papéis semelhantes ‒ e cada uma delas prova que as músicas de intervenção têm o poder de mover massas, unir pessoas e transformar sociedades.

7 músicas de intervenção que marcaram os países (e o mundo).

Portugal – “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso

Composta e interpretada por Zeca Afonso, esta canção tornou-se o hino da Revolução dos Cravos. Transmitida pela rádio na madrugada de 25 de Abril de 1974, serviu como código para os militares que iriam derrubar a ditadura do Estado Novo. Mais do que uma simples canção, tornou-se o símbolo maior da liberdade em Portugal e um verdadeiro hino da democracia.

Chile – “El Pueblo Unido Jamás Será Vencido”, de Quilapayún

“O povo unido jamais será vencido”. Ainda hoje é uma das afirmações que mais se ouve em manifestações para melhores condições de vida. Composta por Sergio Ortega Alvarado e escrita em conjunto com o grupo Quilapayún, esta canção popularizou-se em junho de 1973, meses antes do golpe de estado que derrubou o governo socialista de Salvador Allende e que instaurou uma ditadura que se prolongou até 1990. A música “El Pueblo Unido Jamás Será Vencido” tornou-se um símbolo de resistência e união do povo contra o regime de Augusto Pinochet.

Itália – “Bella Ciao”, autor anónimo

É, possivelmente, a música de intervenção mais viajada da história, sendo cantada nos dias de hoje seja em protestos ambientais a manifestações por direitos civis. De autor anónimo, a melodia original era cantada pelas mondinas, as mulheres que trabalhavam nos campos de arroz do norte da Itália no final do século XIX.

A letra original era um protesto contra as condições de trabalho miseráveis e tornou-se um símbolo de resistência italiana contra o fascimo durante a Segunda Guerra Mundial.

África do Sul – “Bring Him Back Home”, de Hugh Masekela

Composta e gravada pelo ativista sul-africano Hugh Masekela em 1986, a canção “Bring Him Back Home” surgiu como um hino de protesto direto contra o regime do apartheid e um pedido de libertação de Nelson Mandela, que estava preso há mais de duas décadas por lutar contra o regime racista sul-africano.

Com influências de jazz e música africana, a música é quase festiva, mas a sua mensagem é profundamente política e o pedido é claro e direto: libertar Mandela e permitir o seu regresso ao país e à sua comunidade. Tornou-se símbolo da luta pela liberdade e pelos direitos humanos, mostrando como a música pode unir e mobilizar comunidades inteiras.

República Checa – “Modlitba pro Martu”, de Marta Kubišová

Interpretada por Marta Kubišová, esta canção nasceu durante a Primavera de Praga, em 1968, quando a Checoslováquia viveu um período de liberalização liderado por Alexander Dubček, que queria reformar o sistema comunista, pondo fim à censura. Foi neste ambiente que Marta, a maior estrela pop do país na altura, gravou a canção, que fala sobre o fim do ódio e da inveja e o regresso do governo das mãos do povo.

Após a invasão soviética que esmagou o movimento reformista, a música foi banida das rádios e Kubišová foi impedida de cantar durante anos. Apesar disso, “Modlitba pro Martu” tornou-se um hino silencioso de resistência. Em 1989, durante a Revolução de Veludo, a cantora voltou a interpretá-la em público diante de milhares de pessoas e a música ressurgiu como símbolo da libertação do país.

Brasil – “Apesar de Você”, de Chico Buarque

Composta por Chico Buarque, esta música tornou-se um dos símbolos da resistência à ditadura militar brasileira. À primeira vista, parecia um desabafo sobre um relacionamento conturbado com uma mulher mandona ‒ e até os censores que aprovaram a canção acreditaram nisso ‒, mas o “você” da letra era uma metáfora para o regime autoritário.

Quando o governo percebeu o erro, destruíram os discos, mas já era tarde: a música já tinha passado em todas as rádios e o povo já a cantava nas ruas. A canção espalhou-se pelo país e tornou-se um hino clandestino de esperança.

Espanha – “L’Estaca”, de Lluís Llach

Escrita e interpretada por Lluís Llach em 1968, tornou-se um poderoso símbolo de resistência durante o regime autoritário e nacionalista liderado pelo general Francisco Franco, que se caracterizou pela repressão violenta, censura e catolicismo nacional.

Cantada em catalão (idioma reprimido na época), a música incentivava a união para derrubar o regime. Na letra, um velho explica a um jovem que todos estão presos a uma estaca, uma metáfora para a opressão política, e que a única solução é puxá-la juntos até que caia. 

A canção foi censurada durante anos, mas acabou por se tornar um hino universal de luta democrática, cantada em protestos por todo o mundo e traduzida em várias línguas.

França – “Le Déserteur”, de Boris Vian 

Escrita em 1954, no fim da guerra da Indochina e início da guerra da Argélia, “Le Déserteur” tornou-se um símbolo da resistência antimilitarista. A canção é uma carta aberta dirigida ao presidente francês, anunciando a recusa em ir para a guerra.

Foi banida das rádios francesas por ser considerada antipatriótica e por “insultar o exército”. Vian chegou a ser perseguido, mas a canção tornou-se um dos mais importantes hinos pacifistas.

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