Em 13 de julho de 2025, durante a 47.ª reunião do Comité do Património Mundial da UNESCO, em Paris, foram reconhecidos dois tesouros naturais de África: o Parque Nacional de Maputo, em Moçambique, e o Arquipélago dos Bijagós, na Guiné‑Bissau. Este reconhecimento destaca o valor excecional destes ecossistemas únicos e a sua importância para a conservação global.
Parque Nacional de Maputo, em Moçambique
O Parque Nacional de Maputo, oficialmente criado em 7 de dezembro de 2021, resulta da fusão da antiga Reserva Especial de Maputo e da Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro, totalizando 1.718 km². Combina ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos, abrigando cerca de 5.000 espécies, incluindo mangais, recifes, zonas húmidas e extensas praias-
A UNESCO realçou o seu papel complementar ao iSimangaliso Wetland Park, na África do Sul, expandindo a proteção da biodiversidade regional. O parque abriga elefantes, girafas, grandes antílopes, hipopótamos e crocodilos, que fazem passeios junto à estrada.
Reintroduzidos desde 2010, mais de 5.000 animais, incluindo zebras, chitas e hienas, reforçam a fauna local. Foi também destacado que o parque apresenta fenómenos naturais notáveis, como ninhos de tartarugas marinhas, recifes únicos e vastas pradarias subaquáticas, importantes para migrações de aves.
Este estatuto vai aumentar a visibilidade internacional e promover o turismo sustentável e o desenvolvimento das comunidades locais. Estão previstas iniciativas de gestão transfronteiriça com a África do Sul para proteger valores universais comuns–
Arquipélago dos Bijagós, na Guiné‑Bissau
Também a 13 de julho, o Comité da UNESCO aprovou a inscrição do Ecossistema Marinho e Costeiro do Arquipélago dos Bijagó como Património Mundial Natural. Este arquipélago deltaico, formado por 88 ilhas, tem uma biodiversidade impressionante e abriga comunidades tradicionais únicas, com cerca de 33 mil pessoas.
Já Reserva da Biosfera desde 1996 e Sítio Ramsar desde 2014, os Bijagós destacam-se pela importância para aves limícolas migratórias e biodiversidade marinha, incluindo hipopótamos, tartarugas e lontras. Investigadores portugueses do CESAM contribuíram decisivamente para a candidatura, fornecendo dados sobre rota migratória e distribuição das espécies.
Ambientalistas locais veem este reconhecimento como uma oportunidade para reduzir o isolamento das ilhas, atrair apoio externo e garantir uma gestão sustentável, embora também ressaltem a necessidade de reforçar infraestruturas e apoio às comunidades.
Por que é importante?
- Conservação global: ambos os locais recebem proteção reforçada devido à sua biodiversidade única e valor universal excecional;
- Cooperação regional: aposta numa gestão partilhada, sobretudo entre Moçambique e África do Sul.
- Potencial turístico: pode impulsionar o ecoturismo sustentável, gerar receita e beneficiar comunidades locais;
- Visibilidade internacional: o estatuto UNESCO confere prestígio, aumenta a atenção de investidores e organizações de conservação.











