Nome: Sara Pinto
Alguns dos destinos que lidera: Suécia

A Sara é do Porto, mas é na Lapónia sueca que encontrou a sua casa. A paixão por viajar começou cedo, em viagens de carrinha com os pais por Portugal. Foi durante um Erasmus em França que viveu pela primeira vez fora de Portugal. Depois veio o Interrail e, mais tarde, a Escandinávia, onde acabou por ficar. Vive e trabalha como arquiteta e urbanista há cerca de dez anos e, desde 2024, vive acima do Círculo Polar Ártico, na Lapónia sueca.
- Alguma vez uma viagem te mudou a forma de ver o mundo?
A minha viagem ao Nepal, onde vivi com locais e trabalhei como voluntária com ONG que resgatam crianças vítimas de tráfico humano, foi, sem dúvida, uma experiência que mudou a minha forma de ver o mundo.
- Se só pudesses recomendar um destino a toda a gente, qual seria e porquê?
O ártico é um destino que recomendo a toda a gente, por ser tão diferente, tão extremo.
É um local onde sentimos que é muito maior que nós, que não é suposto ser habitado por humanos. É espetacular observar a vida animal que mesmo no inverno mais duro, com temperaturas a chegar aos -40º, resiste.
- Qual foi a refeição mais memorável (boa ou má!) que tiveste em viagem?
A refeição mais memorável pela negativa foi, sem dúvida, nas Filipinas: o balut. É nada mais, nada menos do que um ovo de pato fertilizado, que é cozido e comido quando o embrião já está parcialmente desenvolvido. Deve ser consumido entre os 14 e os 21 dias de incubação, sendo que, nos últimos dias, o embrião já começa a desenvolver penas.
- O que nunca falta na tua mochila, mesmo em viagens curtas?
Uma caneta e toalhitas.
- Qual foi o maior susto ou peripécia que já te aconteceu numa viagem?
O maior susto aconteceu quando fui surpreendida pelo confinamento provocado pela Covid-19 quando estava em Pokhara, no Nepal, a preparar a subida ao Thorong La Pass. De repente, encerraram todas as estradas e aeroportos, e os únicos voos de repatriamento partiam da capital, Katmandu.
Por sorte, passada uma semana, organizaram um autocarro até à capital e consegui chegar a tempo de apanhar o último voo de repatriamento para a Europa. Fui uma das últimas cinco pessoas a serem autorizadas a entrar a bordo.
Já dentro do aeroporto, quando fui fazer o check-in, reparei que tinha perdido o passaporte com o stress da situação. Fui procurá-lo pelo chão do aeroporto, refazendo o caminho até à entrada, e, de repente, vejo um passaporte junto à máquina de scan da bagagem. Era o meu!!
Depois de aterrar em Munique, eu e outros quatro portugueses fomos retidos no aeroporto, porque Portugal tinha fechado o espaço aéreo durante a Páscoa de 2020, para evitar que os emigrantes regressassem a casa durante os feriados. Deixaram-nos sem comida, sem água e sem nos apresentarem qualquer alternativa. Simplesmente disseram que não eramos autorizados a entrar no país.
Acabei por alterar o meu voo para a Suécia e consegui sair de lá no dia seguinte. Fui escoltada por três seguranças armados com enormes semi-automáticas até ao avião e fui a primeira pessoa a fazer o check-in para esse voo, que faria escala em Helsínquia.
- Qual foi a paisagem que mais te deixou sem palavras?
Assistir às auroras boreais foi um momento que me deixou realmente sem palavras. Por mais que tivesse visto fotografias e vídeos, só acreditei verdadeiramente quando as vi com os meus próprios olhos.
- Algum animal selvagem ou situação na natureza que te tenha marcado especialmente?
Um encontro com um elefante selvagem, que estava no meio da estrada, enquanto viajava de mota pelo Sri Lanka. A tremer por todo o lado, estendi-lhe uma banana, que ele apanhou com a tromba, comeu e depois deixou-me passar.
- Qual foi a maior lição que aprendeste a viajar?
Cada pessoa experiencia um lugar de forma diferente. Por muitas opiniões que possamos reunir, a nossa viagem será sempre única. É por isso que devemos seguir o nosso coração e deixar alguma flexibilidade no planeamento de cada viagem. Deixar espaço para que o extraordinário aconteça.
- Numa frase: o que significa para ti ser líder de viagem?
Para mim, ser líder de viagem é facilitar o caminho para a descoberta de novos lugares e experiências, criando as condições necessárias para que a viagem seja uma experiência espetacular, deixando espaço para que o inesperado e o extraordinário aconteçam.
Se estas histórias te despertaram a curiosidade e a vontade de descobrir o mundo de forma autêntica, junta-te à Sara Pinto nas suas próximas viagens com a Papa-Léguas.
Vem partilhar momentos únicos, paisagens inesquecíveis e experiências que só quem viaja com quem conhece o caminho de forma tão apaixonada consegue proporcionar!





