Salar de Uyuni: O tesouro escondido da Bolívia
Diz-se que é no Salar de Uyuni, na Bolívia, que o céu e a terra se encontram. O cenário parece irreal, com um espelho natural gigantesco que reflete o céu e que nos dá a ilusão de estarmos a flutuar. É precisamente essa visão enigmática e misteriosa que faz deste deserto de sal um dos maiores tesouros da América do Sul ‒ e possivelmente do mundo.
Situada nos Andes bolivianos, o Salar de Uyuni é o maior deserto de sal do mundo. Com cerca de 11 mil metros quadrados, esta paisagem surreal e imensa é o que restou de um vasto lago pré-histórico que secou, deixando para trás uma crosta de sal branco e brilhante, que atinge o seu auge de beleza e mistério durante a época das chuvas.
É durante a temporada chuvosa – geralmente entre dezembro e abril – que o Salar se transforma no maior espelho natural do mundo. Uma fina camada de água cobre o sal, criando um reflexo perfeito que confunde o horizonte e une o céu e a terra numa ilusão de ótica deslumbrante.
Na temporada seca, por sua vez (entre abril e novembro), o sal solidifica, revelando padrões geométricos no chão, maioritariamente hexágonos.
Outro facto curioso sobre este enorme deserto de sal é que, devido à sua vasta e notável superfície branca, o Salar de Uyuni é tão brilhante que é considerado o único ponto natural brilhante que pode ser visto do espaço. Esta característica não é apenas uma curiosidade, é um elemento prático de grande importância científica: serviu de ponto de referência para os astronautas da Apollo 11 e, ainda hoje, é usado para calibrar sensores de satélites de observação da Terra.

Apesar da sua vastidão árida, esta planície de sal não é totalmente desprovida de vida e pontos de interesse únicos. O mais famoso destes pontos é a ilha Incahuasi – uma das 33 “ilhas” do Salar ‒ que se encontra coberta por cactos gigantes que podem atingir mais de 10 metros de altura. É um verdadeiro oásis no meio da imensidão branca.
Apesar de a vida selvagem ser rara no Salar de Uyuni, é possível observar bandos de flamingos andinos em lagoas próximas, como a Laguna Colorada. Considerada uma autêntica pérola da Bolívia, este lago salgado vermelho é famoso pela sua cor intensa causada por sedimentos minerais e algas
O Cemitério de Comboios
Numa visita ao Salar geralmente faz-se também uma breve paragem no chamado Cemitério de Comboios, um cenário que parece saído de um filme de ficção científica pós-apocalíptico. Trata-se de um autêntico museu ao ar livre de ferro enferrujado e esquecido.
A história deste cemitério remonta ao final do século XIX, quando a Bolívia (e em particular, Uyuni), era um centro ferroviário estratégico vital para o transporte de minerais. Prova disso é que a cidade de Uyuni foi a escolhida para receber a primeira linha de caminho de ferro da Bolívia, inaugurada por volta de 1890.
Construída com o apoio de engenheiros britânicos, a linha tinha como principal objetivo escoar metais preciosos até ao porto de Antofagasta. Na década de 1940, contudo, a indústria mineira boliviana começou a declinar devido a crises económicas e muitos dos projetos ferroviários foram interrompidos.

As locomotivas a vapor e as carruagens foram levadas para os depósitos de manutenção em Uyuni, mas com o colapso do sistema e a nacionalização dos caminhos de ferro, ninguém investiu na sua reparação. As carruagens foram simplesmente abandonadas no deserto, onde permanecem desde então.
Os hotéis de sal
Numa paisagem onde o sal é a matéria-prima dominante, a arquitetura hoteleira seguiu o mesmo princípio. O Salar de Uyuni é também o lar dos mundialmente famosos hotéis de sal, estruturas hoteleiras onde as paredes, os tetos e até grande parte dos móveis são construídos com blocos de sal compactado.
O mais notável e pioneiro é o Palacio de Sal, construído originalmente em 1998. Para a sua construção foram usados milhões de blocos de sal extraídos e comprimidos no próprio salar. Estar dentro destes hotéis proporciona uma experiência surreal: estás cercado pelo mesmo material que cobre o deserto.
Para proteger a integridade estrutural, a maioria destes hotéis tem uma regra divertida – mas muito séria: os hóspedes não podem lamber as paredes. Isto porque a humidade da língua pode danificar o material.
Esta fusão de arquitetura com a paisagem faz dos hotéis de sal uma das acomodações mais singulares e memoráveis do mundo, transformando uma simples estadia numa atração turística por si só.
Se quiseres ver de perto o deserto de sal e ter a experiência única de dormir num destes hotéis, vem com a Carla Henriques e a Papa-Léguas explorar o Salar de Uyuni.







