Imagina um lago que muda de cor e passa de azul-turquesa a esmeralda, ou até a um cinzento esbranquiçado. Na Islândia, há lagos que realmente mudam de tonalidade ao longo do ano, resultado direto da atividade geotérmica e das condições de luz únicas do país, paisagens que, por vezes, parecem de outro planeta. Mas o mais fascinante não é apenas o que se vê, é compreender por que razão e como esta transformação acontece. Para quem viaja, é uma oportunidade rara de assistir a um verdadeiro espetáculo natural.
Onde observar este fenómeno?
Embora existam vários lagos na Islândia com tonalidades extraordinárias, deixamos aqui alguns locais onde esta alteração de cor é particularmente marcante:
- Kerið — uma cratera vulcânica preenchida por água azul-verde, localizada no circuito do Golden Circle, no sul da Islândia.
- Grænavatn — um lago junto à península de Reykjanes, cuja tonalidade verde-espuma se deve ao enxofre e à profundidade do lago.
- Hvalvatn — próximo de Hvalfjörður, com águas cristalinas que variam entre esmeralda e azul intenso conforme a luz e as condições climáticas.
Cada um destes locais revela um pouco da essência islandesa, país de géiseres, terramotos e glaciares, onde a natureza escreve paisagens que desafiam quaisquer expectativas.

Por que é que a água muda de cor?
A explicação científica para esta mudança de cor passa por vários fatores que interagem entre si:
- Origem vulcânica ou glacial: No caso de Kerið, a cratera foi criada por colapso de uma câmara magmática e alimentada por água subterrânea. Em lagos glaciares como Hvalvatn, a mistura de água de degelo com sedimentos finos altera a transparência e a tonalidade da água.
- Minerais dissolvidos: Rochas vulcânicas ricas em ferro conferem o tom avermelhado das paredes, contrastando com a água azul-verde resultante da luz que penetra e se dispersa. No caso de Grænavatn, a presença de enxofre e minerais térmicos ajuda a explicar o tom esverdeado.
- Luz e ângulo de observação: A cor que vemos depende imenso da qualidade da luz solar, da hora do dia e das condições meteorológicas. Luz oblíqua ou céu carregado alteram a perceção das cores.
- Profundidade e transparência da água: Quanto mais cristalina a água e mais fina a camada de sedimento, mais vibrante pode parecer a cor. Em lagos rasos em crateras, a luz reflete no fundo escuro e realça o azul-verde.
- O resultado é uma paisagem dinâmica — uma tonalidade que muda ligeiramente ao longo das horas ou das estações, o que significa que cada visita pode revelar uma face diferente.
Um pouco de história e geologia
Ao viajar até à cratera Kerið, por exemplo, descobre-se que o fenómeno não é um lago bonito, mas o legado de uma erupção vulcânica que ocorreu entre 3 000 e 6 500 anos atrás. O magma esvaziou-se, a câmara colapsou e formou-se uma bacia que depois se encheu de água, criando o lago deslumbrante.
A geologia da Islândia é muito jovem, afinal o país ainda está a crescer, graças à deriva continental e à atividade vulcânica ao longo da dorsal meso-oceânica.
Como explorar estes locais de forma responsável?
Ver um lago a mudar de cor é fascinante, mas há boas práticas que ajudam a preservar o local e a enriquecer a viagem:
- Visita fora das horas de pico para evitar multidões e preservar o silêncio da paisagem;
- Caminha apenas nos caminhos marcados, o solo vulcânico ou gelado é sensível;
- Leva roupa adequada: mesmo no verão, o vento pode ser frio e repentino;
- Respeita os cartazes: em Kerið, por exemplo, não é permitido nadar no lago, precisamente para proteger o ambiente;
- Fotografa com consciência: muitos visitantes usam drones ou fazem selfies em locais instáveis. A tua segurança e a conservação do lugar devem vir primeiro!
Se procuras uma viagem que combine paisagem radical e simplicidade, a Islândia oferece-te isso e mais: são paragens que despertam a curiosidade, o silêncio e a contemplação!
Se estás a planear uma viagem, definitivamente tens de considerar a Islândia, um verdadeiro laboratório de cor e silêncio!







