Na Mongólia, os cavalos são praticamente parte da paisagem. Basta deixar para trás Ulaanbaatar (a capital mais fria do mundo) e avançar pela imensidão da estepe para perceber a dimensão da relação entre os mongóis e estes animais.
Cavalos a pastar livremente, mandas a atravessar o horizonte e famílias que continuam a deslocar-se e a trabalhar com a ajuda dos seus animais fazem parte de uma realidade que parece pertencer a outro tempo.
Não é de surpreender, portanto, que a Mongólia tenha mais cavalos do que pessoas. O país tem pouco mais de três milhões de habitantes e cerca de 4 milhões de cavalos.
Na Mongólia, aprender a montar faz parte da infância de muitas crianças e, durante o verão, há inclusive uma competição que transforma esta relação num verdadeiro espetáculo: o Naadam.
Naadam
Realizado todos os anos em julho, o Naadam é o maior festival tradicional da Mongólia, celebrando os chamados “três jogos viris” da tradição mongol: a luta, o tiro com arco e as corridas de cavalo. Esta última é, provavelmente, a mais entusiasmante para quem vem de fora.
Apesar de as corridas de cavalo serem o grande destaque do evento, o melhor é não haver ilusões: aqui não há hipódromos com bancadas nem pistas perfeitamente delimitadas. É a própria estepe que se transforma em pista.

Os cavalos podem percorrer distâncias de vários quilómetros, com algumas provas a aproximarem-se dos 30 quilómetros. O percurso atravessa terreno natural e os animais são avaliados não apenas pela velocidade, mas também pela resistência.
Os jóqueis
Outra curiosidade relativamente ao Naadam é o facto de grande parte dos jóqueis (atleta especializado em montar) serem crianças. Isto porque na cultura tradicional mongol, aprende-se a montar na infância.
A sua pequena dimensão, nas corridas, é uma grande vantagem, uma vez que permite reduzir o peso transportado pelo cavalo durante percursos que podem ser extremamente longos.

Bebida de cavalo?
Parece estranho, mas a presença e a importância do cavalo também se faz sentir numa bebida. O airag, uma bebida tradicional mongol, é produzido através da fermentação do leite de égua. Tem um sabor ligeiramente ácido e é consumido sobretudo durante os meses mais quentes e em ocasiões especiais.
Como os povos da região historicamente têm uma forte intolerância à lactose, o processo de fermentação surge como uma solução para destruir o excesso de açúcar do leite selvagem, tornando-o digerível e nutritivo.
O airag é o símbolo máximo de hospitalidade dos povos nómadas, sendo oferecido aos visitantes como sinal de boas-vindas.

Vida nómada
Apesar de a Mongólia ter mudado profundamente nas últimas décadas, uma parte da população mantém uma vida ligada à pastorícia nómada. Estas famílias deslocam-se em função das necessidades dos animais e das condições das pastagens.
Vivem tradicionalmente em gers, as habitações circulares que podem ser desmontadas e transportadas. A mobilidade, claro, continua a ser importante, daí o cavalo continuar a fazer parte desta vida nómada.








