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Christopher McCandless: a história real por trás de Into the Wild

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Em 1992, um jovem americano entrou sozinho no interior selvagem do Alasca. Tinha 24 anos, pouco dinheiro e praticamente nenhum equipamento, mas tinha algo que não se compra: uma enorme vontade de se afastar da vida que conhecia. O seu nome era Christopher McCandless.

Nascido numa família de classe média, Chris decidiu rejeitar os valores materialistas da sociedade. Logo após acabar o curso na Universidade de Atlanta, em 1990, doou os 24 mil euros que tinha na sua conta bancária a instituições de caridade e desapareceu sem avisar a família, para nunca mais voltar.

Adotou o pseudónimo de Alexander Supertramp e, durante dois anos, viajou à boleia e a pé pelos Estados Unidos e México, em busca de autenticidade, liberdade absoluta e comunhão com a natureza, inspirado por autores como Jack London e Leo Tolstói.

Rumo ao Alasca

Foi à boleia que chegou ao Parque Nacional Denali, através do Stampede Trail, um caminho que levava ao interior do Alasca, com o objetivo de permanecer alguns meses na floresta. A única comida que levava era um saco com 5 quilos de arroz, mas a determinação era maior do que a falta de equipamentos e comida.

Entrou no interior selvagem e encontrou um antigo autocarro abandonado, que ficou conhecido como Fairbanks Bus 142. Foi lá que se instalou, tentando sobreviver com caça e recolha de plantas ‒ até que decidiu regressar.

Ao tentar regressar à civilização, encontrou o rio Teklanika muito mais difícil de atravessar do que quando tinha chegado, quando o caudal era relativamente baixo. O que encontrou, no verão, foi uma corrente forte devido ao degelo, tornando a travessia muito mais perigosa. Sem conseguir atravessar, regressou ao autocarro.

Enfraquecido pela fome e possivelmente debilitado pela ingestão de sementes imprópria, acabou por morrer no interior do autocarro em agosto de 1992, com o corpo a ser descoberto por caçadores em setembro.

A história de McCandless tornou-se mundialmente famosa após a publicação do artigo de Jon Krakauer na revista Outside em 1993, que mais tarde se expandiu para o aclamado livro Into the Wald (em 1996), adaptado ao cinema em 2007.

McCandless fugiu sem deixar rasto, mas transformou-se numa figura conhecida em todo o mundo e a sua história levou milhares de pessoas a conhecer o Alasca através do seu percurso.

O autocarro onde morreu tornou-se, entretanto, um dos símbolos mais associados à sua história. Em 2020, contudo, o famoso autocarro foi retirado do local pelas autoridades do Alasca, numa operação destinada a evitar novos acidentes e operações de resgate.

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