Com um percurso ligado à escrita como jornalista, Katya Delimbeuf vai estar na Papa-Léguas para apresentar o seu romance de estreia, “Âncora”. A sessão de apresentação decorrerá no dia 25 de junho, às 19h00, e será moderada por Rita Ferreira, da página “Desculpas Para Ler”.
Depois do seu trabalho como jornalista, Katya Delimbeuf estreia-se agora na ficção com uma narrativa onde o mar assume um papel central. A obra, publicada pela Oficina do Livro, cruza temas como identidade, raízes, saúde mental e viagem, tendo como pano de fundo Portugal, Cabo Verde e Moçambique.
A história acompanha Laura, uma terapeuta que recebe no seu consultório pacientes marcados por mágicas, traumas e perdas. Entre eles está Afonso, um homem cuja infância foi marcada por um acontecimento que continua a condicionar a sua vida adulta.

Encontrando no seu barco, o Nave, o único lugar onde consegue alcançar alguma serenidade, decide partir sozinho para o mar numa última tentativa de encontrar respostas para o seu próprio percurso. Paralelamente, também Laura irá embarcar numa viagem transformadora, num romance onde as ligações entre Portugal e África surgem como uma presença constante.
À Papa-Léguas, Katya revela que, quando começou a escrever o livro, não sabia que iria colocar uma das suas personagens a empreender uma viagem marítima. “Tinha em mente apenas as linhas-mestras dos temas que queria abordar ‒ identidade, saúde mental, luto, no fundo, as filigranas das emoções e a sua complexidade”, afirma a escritora.
Apesar de ter tido a oportunidade de conhecer grande parte do planeta devido ao seu trabalho, nunca tinha feito nenhuma viagem de barco, nem tinha qualquer experiência de vela. Tudo o que escreveu sobre a viagem marítima a solo do Afonso foi com base em pesquisas de navegação e em duas entrevistas a dois navegadores portugueses: António Fontes e Francisco Lobato.
Foi em conversa com estes velejadores que tentou perceber como é que lidavam com a solidão a bordo e as estratégias que usavam para fintar essa sensação. No caso de Francisco Lobato, a sua relação com Deus ao navegar foi deveras importante.
“Fez-me sentido que a personagem masculina de Âncora também reforçasse essa ligação espiritual a bordo do Nave, o seu barco-casa. No caso do Afonso, o mar é o único lugar onde ele encontra paz”, revela a autora.

Katya foi repórter de viagens e teve oportunidade de conhecer vários países do mundo, nomeadamente em África, o continente onde decorre parte da narrativa. Escrever sobre viagens, apesar de não ter sido planeado inicialmente, era, de certa forma, inevitável.
“Para quem, como eu, esteve nos cenários descritos no livro (Delta do Okavango, Bijagós…) seria impossível não querer transmitir aos leitores as sensações, os cheiros e os sabores destes lugares. Afinal, ninguém regressa igual de uma viagem ‒ e no Âncora também não”, admite a escritora.
A apresentação na Papa-Léguas será uma oportunidade para conhecer melhor o processo de criação deste romance de estreia e conversas com uma autora que, ao longo da sua vida profissional, fez da descoberta do mundo uma forma de contar histórias.








