Newsletter Papa-Léguas

Fica a par de todas as novidades!

pt-pt +351 21 845 26 89 / 90 geral@papa-leguas.com
+351 21 845 26 89 / 90 geral@papa-leguas.com

Contar Países: Mas e se Estivermos a Contar Mal?

Homepage > Dicas de Viagem > Contar Países: Mas e se Estivermos a Contar Mal?
Quantos países já visitaste?

É uma pergunta comum no mundo das viagens. Aparece em conversas entre viajantes, nas descrições de perfis nas redes sociais, nos desafios pessoais de conhecer 30 países antes dos 30. Há até aplicações que registam o número de carimbos no passaporte como se fossem troféus. Mas, e se estivermos a contar mal?

Neste artigo, propomos um olhar diferente sobre o ato de contar países. Não como uma competição, mas como uma reflexão sobre o que significa, de facto, conhecer um lugar. Porque, às vezes, conhecer menos pode ser conhecer melhor.

A obsessão pela lista

O mundo tem 195 países reconhecidos (mais ou menos, dependendo das definições geopolíticas), e há quem transforme esse número numa meta. Mas será que passar por um país conta como conhecê-lo? Estar 24 horas em Banguecoque entre dois voos, sem sair do hotel, conta como conhecer a Tailândia? Ficar num resort em Cancún durante uma semana conta como conhecer o México?

Claro que cada um viaja como quer e como pode. Mas esta obsessão moderna pela lista tende a transformar o mundo num álbum de cromos, que quanto mais se preenche, melhor. E isso retira à viagem o seu elemento mais precioso: o tempo. O tempo para ficar, ouvir, saborear, para se perder e perceber.

Viajar como quem risca um mapa

Os viajantes sabem-no, há algo sedutor em riscar países num mapa. Dá uma sensação de conquista, um certo orgulho pessoal. Mas esse gesto pode tornar-se superficial se não for acompanhado de presença. Há quem se vanglorie por ter estado em 50 países mas não se lembra do nome da aldeia onde comeu o melhor pão. Não falou com ninguém local. Não pisou um trilho fora da rota turística mais tradicional.

Por outro lado, há quem tenha voltado dez vezes ao mesmo lugar, em épocas diferentes, com olhos e propósitos distintos. E tenha conhecido aquele único país com uma profundidade que 50 passagens rápidas nunca trarão.

O que importa mais: a lista ou a experiência?

Nenhum deles conta mais do que o outro, nem é essa a intenção ao trazermos este tema. De facto, contar países pode ser um jogo inofensivo. Mas também pode ser um desvio, alimentando a ideia de que o valor de uma viagem está na quantidade e não na qualidade, e desvalorizando quem viaja devagar, com intenção e ligação ao lugar.

Há países que nos transformam. E, por vezes, basta um ou dois. E num mundo onde tudo se mede, desde passos, a calorias, passando por minutos ou seguidores, é natural que queiramos medir também as viagens. Mas talvez seja tempo de resistir a essa lógica. Porque viajar não é um produto, nem é uma medalha. É um processo. E, como todos os processos humanos, tem falhas, desvios, imprevistos e ritmos próprios.

Às vezes, o país que mais nos marcou é aquele onde não tirámos nenhuma fotografia. Onde choveu o tempo todo. Onde ficámos doentes, mas alguém nos ajudou. Ou onde não vimos os pontos mais turísticos, mas vimos as pessoas que lá vivem e fomos vistos também.

E se, em vez de perguntarmos quantos países já visitaste?, começássemos a perguntar coisas diferentes?
  1. Que lugar te ensinou algo que levas contigo até hoje?
  2. Que viagem te obrigou a abrandar, a repensar e a ouvir mais do que a falar?
  3. Onde é que te sentiste mais em casa, mesmo sendo um forasteiro?

Estas são perguntas que não cabem num número. Mas cabem numa vida.

O mundo é grande, mas tu também és

Contar países pode dar uma ilusão de domínio, como se, ao somarmos destinos, somássemos também a experiência. Mas a experiência não se mede só em carimbos. O mundo é vasto, sim. Mas o nosso interior também é. E às vezes, conhecer um lugar profundamente é uma forma de nos conhecermos a nós mesmos com mais clareza. Viajar não tem de ser contar países. Pode ser contar histórias, contar estrelas ou contar as palpitações do nosso coração, que acelera diante de um pôr do sol que não esperávamos.


Vem viajar connosco!

Deixe um comentário

GDPR