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Ryanair ameaça abandonar os Açores: Quais os impactos no turismo?

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Viajar para os Açores pode ficar mais difícil (e caro) em breve. A companhia aérea low-cost Ryanair anunciou, no fim de novembro, que pretende cancelar todos os seus voos de e para os Açores a partir de 29 de março de 2026. Após dez anos de operações no arquipélago, esta medida abrupta resultará na perda de cerca de 400 mil lugares anuais para os Açores, um golpe significativo para o turismo na região.

A Ryanair justifica o encerramento total das rotas com as elevadas taxas aeroportuárias impostas pela concessionária ANA ‒ Aeroportos de Portugal, e a “inação do Governo português”. A companhia aérea acusa a ANA de aumentar os custos operacionais de forma insustentável para o seu modelo low-cost. Desde a pandemia, alegam que houve um aumento de 35% das taxas aeroportuárias em Portugal, assim como a introdução de uma taxa de viagem de 2€ por passageiro em Portugal.

O anúncio da Ryanair apanhou de surpresa tanto a ANA como o Governo Regional dos Açores e o Ministério das Infraestruturas. A concessionária afirma que as taxas aeroportuárias em vigor nos Açores são as mais baixas da sua rede e que não houve qualquer aumento para 2026 e alega que as conversas recentes com a companhia aérea indicavam um reforço da operação na região.

Já o Ministro das Infraestruturas de Portugal, Miguel Pinto Luz, declarou que o Governo “não aceita ultimatos nem ameaças” da Ryanair. “Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que a Região Autónoma dos Açores não saia prejudicada. Mas não aceitamos ultimatos, nem ameaças, nem falsas alegações. Somos pela verdade”, afirmou.

O executivo do Governo Regional dos Açores, por sua vez, prometeu determinação para manter a Ryanair e garantiu que as vias de diálogo mantém-se abertas, tentando reverter a decisão da companhia.

O impacto nos Açores

A decisão da Ryanair tem implicações sérias para o turismo do arquipélago, que beneficiou das rotas e do acesso a voos de baixo custo desde 2015. A perda das rotas diretas, nomeadamente para mercados importantes como Londres e Bruxelas, reduz a acessibilidade aos Açores.

A saída da Ryanair poderá levar ainda a um aumento generalizado dos preços dos bilhetes, afetando a competitividade do destino em relação a outros arquipélagos europeus. A Associação do Alojamento Local dos Açores manifestou preocupação com esta decisão, antecipando uma queda na procura e um impacto negativo nos pequenos negócios que dependem do fluxo de turistas.

Para os residentes açorianos, o problema transcende o turismo, afetando a sua mobilidade e a ligação ao exterior. A ausência da companhia reduz a oferta, aumenta os preços e limita as opções para quem precisar de se deslocar por razões pessoais, de saúde ou de negócios. O mercado ficará assim mais dependente de transportadoras como a SATA Azores Airlines e a TAP. Embora estas companhias possam tentar compensar as perdas, a falta de um concorrente de peso no segmento low-cost remove a pressão sobre os preços, afetando o custo de vida dos residentes.

Muitos membros do setor turístico veem a medida da Ryanair como uma “forma de pressão” junto do Governo e da ANA para negociar condições de operações mais favoráveis e baixas taxas antes da temporada de verão de 2026.

A decisão de romper ligações com os Açores insere-se numa redução mais ampla de rotas em toda a Europa. Em Espanha, a companhia aérea anunciou a suspensão das ligações de inverno a cidades como Vigo e Santiago de Compostela. A Alemanha também foi uma das visadas, uma vez que a Ryanair planeia eliminar várias rotas de inverno populares, incluindo Berlim, Hamburgo e Dortmund.

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