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Bibliotecas em Zonas de Guerra

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Guardar Memória é Proteger o Futuro

Num mundo em constante convulsão, onde a guerra destrói não apenas edifícios, mas também identidades, existe um gesto silencioso e poderoso que resiste aos escombros: salvar livros.

Recuperar bibliotecas em zonas de guerra não é apenas um ato de preservação cultural. É um grito de humanidade. É garantir que uma criança possa ler na sua língua, que um historiador encontre registos do seu povo, que um refugiado volte a sentir-se enraizado.

Ucrânia: salvar os livros no meio das bombas

Desde o início da guerra, centenas de bibliotecas ucranianas foram danificadas ou destruídas. Em cidades como Kharkiv e Mariupol, voluntários e bibliotecários juntaram-se para transportar livros para abrigos subterrâneos. Muitos destes livros são considerados vitais para a identidade nacional ucraniana, como literatura clássica ou arquivos históricos.

Em Lviv, cidade mais protegida a oeste, algumas bibliotecas tornaram-se centros de acolhimento, onde se lê para crianças deslocadas e se organizam clubes de leitura como forma de manter viva a normalidade. Transformaram as estantes de livros em brechas para disparar, contou Olena Shumak, bibliotecária numa vila perto de Kyiv. Mais tarde, quando a biblioteca reabriu, acrescentou: Limpámos duas ou três prateleiras, e as pessoas começaram a aparecer. Levavam livros para se acalmarem…

Síria: bibliotecas clandestinas em Aleppo

Durante os anos mais intensos da guerra na Síria, um grupo de jovens reuniu milhares de livros nos porões de um prédio bombardeado, criando uma biblioteca secreta em Darayya, subúrbio de Damasco. Não havia energia nem segurança, mas havia vontade de aprender. Esta biblioteca clandestina chegou a ter mais de 15 mil volumes.

Os livros eram recolhidos entre os escombros, restaurados e organizados por título, autor e tema. Havia romances, enciclopédias, manuais escolares. Alguns dos jovens arriscavam a vida para ir buscar um dicionário ou um volume de poesia. Para eles, o conhecimento era mais urgente do que o medo.

Iraque: restaurar o património de Mossul

A cidade de Mossul foi ocupada durante três anos pelo Estado Islâmico. Durante esse tempo, a biblioteca da Universidade de Mossul foi incendiada e milhares de manuscritos antigos desapareceram. Mas quando a cidade foi libertada, começou também um movimento de renascimento.

Com a ajuda de organizações internacionais e universidades, estudantes e professores começaram a catalogar o que restava e a solicitar doações. Criou-se uma campanha de recolha de livros para reconstituir o acervo. Vários países europeus enviaram livros em árabe, inglês e francês.

Mais do que uma reconstrução física, tratava-se de devolver dignidade a uma instituição que simbolizava conhecimento e liberdade de pensamento.

O que está em jogo quando uma biblioteca é destruída

A destruição de uma biblioteca é um ato profundamente simbólico. Significa apagar histórias, silenciar vozes, destruir memórias coletivas. Mas também o oposto é verdadeiro: salvar uma biblioteca é proteger o futuro.

Viajar para lá do óbvio: uma forma de resistência

Cada biblioteca em zona de guerra é uma história de coragem.

Para quem viaja com olhos atentos, cruzar-se com uma biblioteca numa terra distante pode ser uma experiência discreta mas marcante. Talvez não seja mais do que uma sala modesta, paredes gastas, estantes desalinhadas. Mas ali repousam histórias que sobreviveram ao tempo, ao medo, à perda. Vale a pena parar, reparar nos títulos, trocar palavras com quem os guarda. Tentar perceber que memórias ali ficaram, e quais se perderam pelo caminho.

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