Ver um elefante de perto é, para muitos viajantes, um dos momentos mais marcantes de uma viagem à Tailândia. Mas há uma pergunta que vale a pena fazer antes de escolher onde e como viver essa experiência: estamos a contribuir para o bem-estar dos animais ou apenas para o nosso entretenimento?
Na Tailândia, os elefantes fazem parte da paisagem, da cultura e, infelizmente, também de uma indústria turística que durante décadas os submeteu a práticas poucos compatíveis com o seu bem-estar. A consciencialização dos viajantes foi mudando nos últimos anos e, hoje em dia, montar num elefante começou a ser visto como uma atividade problemática.
Muitas empresas passaram a apresentar alternativas, como alimentar os animais, tomar banho com eles, lavá-los ou simplesmente tirar fotografias de perto ‒ mas é preciso ter muita atenção na mesma. Na Tailândia existem dezenas de instalações que recebem turistas e que utilizam a palavra “santuário”, mas isso não significa necessariamente que seja um lugar ético.
Alguns têm boas práticas e colocam efetivamente o bem-estar dos elefantes no centro do trabalho. Outros, nem tanto. É por isso que organizações como a World Animal Protection defendem uma mudança fundamental na forma como vemos estes animais: em vez de procurar experiências em que podemos tocar, alimentar ou dar banho a elefantes, devemos procurar experiências em que podemos simplesmente observá-los.

O santuário de elefantes escolhido pela Papa-Léguas
Para a nossa viagem de grupo à Tailândia, não bastava encontrar um espaço que se apresentasse como “santuário”. Era importante perceber de que forma os elefantes eram tratados, que tipo de interação existia com os visitantes e se a experiência turística respeitava, de facto, o bem-estar dos animais.
Foi a partir destes critérios que chegámos ao ChangChill Elephant Sanctuary, em Chiang Mai. Neste santuário, os visitantes não montam os elefantes, não lhes dão banhos nem são incentivamos a alimentá-los diretamente. Em vez disso, observam-nos a caminhar, procurar alimento, socializar ou tomar banho no rio ou na lama. Os animais podem deslocar-se livremente pelo espaço e escolher o que fazer e quando o fazer.
A história do ChangChill
O ChangChill começou a sua transformação em 2017, quando ainda funcionava sob o nome Happy Elephant Valley. Na altura, os turistas podiam montar nos elefantes e participar em atividades como alimentá-los e dar-lhes banhos.
O proprietário, Supakorn Tananseth, vinha de uma família com várias gerações ligadas ao cuidado de elefantes e tinha anteriormente gerido um campo onde eram realizados passeios, mas decidiu procurar uma alternativa que proporcionasse melhores condições aos animais.
A mudança ganhou forma quando o espaço começou a trabalhar com a Word Animal Protection, que apresentou um modelo de turismo baseado na observação dos animais, sem contacto direto. Isso implicava, naturalmente, uma transformação profunda: os elefantes deixariam de ser usados para proporcionar atividades aos turistas e seriam criadas condições para que os visitantes pudessem observá-los enquanto os animais se comportavam de forma mais natural.

O espaço fechou durante alguns meses para adaptar as instalações e preparar a equipa para o novo modelo. Reabriu em 2019, já com o nome ChangChill, uma expressão que significa “elefantes descontraídos”.
Um deles é Mae Korn, um elefante que viveu num santuário onde os turistas podiam tomar banho e brincar na lama com os animais. Quando chegou a ChangChill, ainda se aproximava dos visitantes à procura de comida, mas acabou por se adaptar ao novo ambiente e começou a procurar alimento naturalmente e a passar mais tempo com a manada.
Hoje, o santuário tem dois espaços na zona de Mae Win, em Chiang Mai: o View Doi, numa área montanhosa rodeada de floresta e próxima de uma comunidade Karen, e o Hillside, também inserido numa paisagem florestal e com zonas de lama naturais utilizadas pelos elefantes.
Apesar do programa da Tailândia da Papa-Léguas incluir uma visita ao santuário dos elefantes, os participantes podem optar por não ir, caso não se sintam confortáveis.







